
A Corte Constitucional da Coreia do Sul votou a favor do impeachment do presidente Yoon Suk Yeol nesta sexta-feira (4), pelo horário local – noite de quinta (3), no horário de Brasília. Ele foi afastado após publicar um decreto de lei marcial que restringia direitos civis e fecharia o parlamento.
O ex-presidente responde em um processo de insurreição. Ele chegou a ser preso em janeiro deste ano, mas deixou a prisão em março.
Mas quem é Yoon? Eleito em 2022, o presidente sul-coreano é um novato na política, que ganhou atenção pública como promotor por suas investigações intransigentes sobre alguns dos escândalos de corrupção mais notórios do país.
Depois de vencer uma eleição acirrada, com a margem mais estreita de todos os tempos, ele recuou de promessas mais controversas que fez na campanha eleitoral, como a abolição do Ministério da Igualdade de Gênero, mas manteve o discurso menos diplomático em relação aos vizinhos norte-coreanos.
Nascido em Seul em 1960, Yoon estudou direito e desempenhou um papel fundamental na condenação da ex-presidente Park Geun-hye por abuso de poder.
Como principal promotor do país em 2019, ele também indiciou um importante assessor do presidente Moon Jae-in por fraude e suborno em um caso que manchou a imagem íntegra do governo.
Isso fez com que Yoon se tornasse “ícone” dos conservadores e chamasse a atenção do partido de oposição People Power, pelo qual saiu como candidato presidencial.
Yoon, que tem lutado para impor sua agenda contra um Parlamento controlado pela oposição desde que assumiu o cargo, viu seu índice de aprovação cair nos meses que antecederam a lei marcial.
O presidente rejeitou pedidos por investigações independentes sobre escândalos envolvendo sua esposa e altos funcionários, atraindo rápidas e fortes repreensões de seus rivais políticos – a oposição tem tentado aprovar moções para impeachment de três promotores importantes, incluindo o chefe do Gabinete do Promotor Público do Distrito Central de Seul.
Os conservadores chamaram a medida de vingança.
Na época da eleição de Yoon, a agência de notícias Reuters listou alguns de seus posicionamentos durante a campanha; confira:
- Economia: declarou apoiar abordagens lideradas pelo mercado, incluindo a criação de empregos liderada pelo setor privado em vez de projetos governamentais. Ele prometeu cortar a burocracia para empresas e desregulamentar a indústria de ativos virtuais.
- Impostos: prometeu reduzir os ganhos de capital e os impostos sobre propriedade para aumentar as transações imobiliária e propôs aumentar o limite de imposto para investimentos em criptomoedas de 2,5 milhões de wons para 50 milhões de wons.
- Habitação: prometeu criar pelo menos 2,5 milhões de casas em seu mandato e criticou as regulamentações vigentes de propriedade, afirmando que elas deveriam ser flexibilizadas e orientadas por “princípios de mercado”.
- Questões de gênero: afirmou que as políticas de gênero desempenharam um papel descomunal no ressurgimento dos conservadores, impulsionadas, em parte, pela reação dos jovens sul-coreanos contra o que eles veem como um feminismo descontrolado.
- Coreia do Norte: disse que ataques preventivos poderiam ser a única maneira de conter os novos mísseis hipersônicos da Coreia do Norte se eles parecerem prontos para um ataque iminente.
O líder da oposição Lee Jae-myung, que perdeu por pouco para Yoon na eleição presidencial de 2022, é visto como o favorito para a próxima eleição presidencial que será realizada daqui a 60 dias.