
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se ausentou por ter passado por uma cirurgia estética há duas semanas . Apesar de ausente, a filha mais velha de Michelle, Letícia, e seu irmão de consideração, Eduardo Torres, foram à manifestação. A vice do PL Mulher, Priscila Costa, puxou coro de “Michelle, Michelle” ao discursar. A ex-primeira-dama é citada como opção à Presidência diante da inelegibilidade de Bolsonaro, que prefere lançá-la ao Senado.
Bolsonaro foi o último a falar e fez o discurso mais longo do dia. Ele abriu seu discurso lembrando casos de presos e condenados pelo 8 de Janeiro, se defendeu das acusações de golpe e disse ter apoio de outros partidos além do PL, como o PSD de Gilberto Kassab.
— Há poucos dias, tinha um velho problema e resolvi, com o (Gilberto) Kassab em São Paulo. Ele está ao nosso lado com a sua bancada para aprovar a anistia em Brasília — afirmou. — Todos os partidos estão vindo.
A lista de oradores incluiu o próprio Bolsonaro, seu filho Flávio, o líder nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, o pastor Silas Malafaia e a vice-presidente do PL Mulher, Priscila Costa, que representa Michelle no evento. Entre os parlamentares, discursaram o senador Magno Malta (PL-ES) e os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Rodrigo Valadares (União-SE), relator do PL da anistia.
Os discursos foram rápidos. Nikolas criticou o ministro do STF, Alexandre de Moraes. Flávio Bolsonaro também o criticou, falou em derrotar o “Alexandrismo” e finalizou pedindo anistia:
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— Nós vamos aprovar anistia muito em breve. O próximo presidente da República é Jair Bolsonaro, sim — afirmou Flávio.
Já o governador Cláudio Castro destacou que o estado do Rio deu mais de 60% de votos a Bolsonaro, a quem tratou como “seu único candidato”. Tarcísio de Freitas, que desponta como provável nome para 2026, destacou feitos da gestão Bolsonaro, como Pix, e afirmou em “libertar o país da esquerda”:
—Qual razão de afastar Jair Messias das urnas? Medo de perder eleição? — questionou Tarcísio, que tratou de pautas nacionais, como anistia ao 8/1 e inflação. — Ninguém aguenta arroz caro, feijão caro, ovo caro. Volta Bolsonaro.
Organizador do ato, o pastor Silas Malafaia foi, mais uma vez o responsável pelos ataques mais ríspidos a Moraes, a quem tratou como “criminoso”. Criticou o inquérito das Fake News, a delação premiada do ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, e provas coletadas que embasaram a denúncia da tentativa de golpe de Estado. Criticou ainda o que vê como celeridade do Judiciário ao julgar o caso.
Pedidos de Anistia
A anistia para os réus do 8 de Janeiro foi o principal mote da manifestação, que reuniu familiares dos envolvidos, à exemplo dos parentes de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como “Clezão”. Ele faleceu em novembro de 2023, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Sua defesa havia pedido a conversão da pena em prisão domiciliar, mas a análise ainda não havia sido feita pelo STF.
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Cartazes com os nomes dos condenados foram exibidos, com pedidos de liberdade. No caso de Nubia Tavares, sentenciada a 17 anos, a frase escolhida foi “Ainda estou aqui”, em alusão ao filme sobre o período da ditadura militar que ganhou o Oscar de melhor longa estrangeiro este ano.
Uma nova manifestação está prevista para o dia 6/4, na Avenida Paulista, em São Paulo e uma outra poderá ocorrer em Aracaju-SE.