
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, confirmou nesta sexta-feira (31) que o presidente dos EUA, Joe Biden, autorizou a Ucrânia a usar armas fornecidas pelo governo norte-americano em ataques dentro da Rússia.
Na quinta-feira, militares do alto escalão afirmou à agência de notícias Reuters, em condição de anonimato, que os EUA haviam dado o aval para esse uso. Em encontro de ministros da Otan em Praga, na República Tcheca, Bliken confirmou a notícia.
Ele disse que Biden deu o sinal verde após Kiev pedir autorização de Washington para atacar um alvo dentro da Rússia próximo à fronteira com Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia e onde tropas de Moscou fazem uma forte ofensiva nas últimas semanas.
Segundo Washington, o ataque ucraniano com armas norte-americanas seria uma tentativa de conter essa ofensiva em Kharkiv.
Blinken não informou se o ataque ucraniano já foi feito. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também não confirmou se essas armas já foram usadas em ataques ao país vizinho, mas disse nesta sexta que isso será “questão de tempo”.
Já o governo russo, também nesta sexta-feira, disse que já houve tentativa, por parte da Ucrânia, de atacar tropas dentro do território da Rússia, mas não confirmou se o ataque já foi feito.
Antony Blinken afirmou que a autorização não significa que os EUA estejam entrando diretamente na guerra. “É uma defesa da Ucrânia. Autodefesa não é escalada”.
Kharkiv
Foco atual de uma nova ofensiva russa, a região de Kharkiv abriga a cidade de mesmo nome, a segunda maior da Ucrânia.
As tropas da região foram as que mais resistiram a ataques russos ao longos dos mais de dois anos de guerra. Por isso, uma eventual vitória da Rússia na cidade pode também ter um peso simbólico e ser uma das importantes da guerra.
O avanço russo atual aconteceu por uma combinação de fatores planejados e não planejados dentro e fora da Rússia:
- Após perder milhares de soldados e artilharia e veículos de guerra no primeiro ano de guerra, a Rússia conseguiu reorganizar sua estrutura militar com o tempo e graças a manobras na economia que conseguiram bancar e manter os altos gastos na guerra;
- No cenário externo, a demora para a ajuda dos EUA, o principal financiador externo da Ucrânia, também favoreceu. Equipamentos e artilharias da Ucrânia foram se deteriorando e tornando as linhas de frente de Kiev mais frágeis e perenes.
Ajuda dos EUA
Em abril, o Congresso dos Estados Unidos aprovou um pacote de ajuda para a Ucrânia de US$ 60,8 bilhões (cerca de R$ 318 bilhões). Embora bilionária, a ajuda demorou meses para sair, após forte resistência do Partido Republicano em liberar mais verbas para guerras fora do país.
Em uma postagem nas redes sociais na sexta-feira, Zelensky reclamou da demora e disse que “nem todos os nossos parceiros estão atualmente cumprindo os acordos em tempo hábil”, embora não tenha especificado quais.