
A frase título deste artigo, aos gritos, foi o que ouvi dias atrás, quando passava por determinado setor de produção da empresa que sou fundador e sócio atual em Anápolis. Perguntei para alguém e fui informado que o colaborador sempre faz este tipo de graça, com certeza feliz por estar incitando os demais colegas a ser como ele, sempre deselegante, desrespeitoso e, também, inconsequente. Faltava ele saber que se for demitido por justa causa perderá o seguro desemprego. Informei-me melhor e me informaram que o mesmo quer que a empresa o demita já faz algum tempo. Quer, também, pendurar no Governo.
Mas o que leva nosso colaborador a forçar as coisas para ficar por conta do Governo, via seguro desemprego? Até onde vai esta história?
Na verdade, o que está na cabeça das pessoas, as ideias nas quais acreditam, abraçam e defendem são fatores decisivos para o futuro de qualquer sociedade ou país.
Acreditar nas coisas erradas, como boa parte do Brasil faz hoje, é o que explica nossas mazelas.
Nessa ótica, um dos pontos fundamentais que dificultam a distribuição de renda em nosso país e contribui para o distanciamento entre ricos e pobres é a noção, utópica e errática, por grande parte de nossa população, de acreditar no governo grátis ou do governo que tudo pode, desconhecendo que o dinheiro que os governantes gastam vêm dos impostos pagos por empresas e pessoas, inclusive pelos mais pobres, via impostos indiretos embutidos nos preços dos produtos. Afinal, não existem milagres.
Pois bem, o Seguro Desemprego foi criado em 1986, pelo Presidente José Sarney, referendado na constituição de 1988, por ser um bom programa para acudir o trabalhador na surpresa de ser demitido sem justa causa, pelo empregador. É um programa sério e importante para a segurança do mesmo. Serão aproximadamente 8 milhões de pessoas recebendo o benefício em 2024, consumindo aproximadamente 50 bilhões de reais do orçamento da união. Não está fácil!
O problema é que ao acreditar nas coisas fáceis, e que ficam cada vez mais fáceis, que o governo tudo pode, as pessoas mais inocentes desistem de ir à luta por seus sonhos. Acham mais fácil exigir do Governo. Assim, vida que segue!
Esses conceitos erráticos, porém, vêm de longe e precisam ser revertidos. Na verdade, não se descobriu outra solução a não ser pela educação de qualidade para todos, inclusive educação política. Discursos evasivos não resolvem. O exemplo honesto de John Kennedy (1917-1963), ao ser empossado Presidente dos EUA, em seu discurso de posse, foi incisivo com seus admiradores no mundo todo:
“Não perguntes o que a tua pátria pode fazer por ti. Perguntes o que tu podes fazer por ela”. Ou seja, esqueçam o governo grátis, porque ele não existe. Só o trabalho pode produzir riquezas. Porém, nosso povo tem a estranha mania de não pensar assim.
Certo é que o DNA do governo grátis em nosso país, ou do governo tudo pode, está nos sucessivos governos populistas brasileiros, principalmente no período pós constituição de 1988.
Sim, desde então, nossos políticos, insatisfeitos com a “Constituição Cidadã” por demais, foram acrescentando direitos e mais direitos aos cidadãos e, com destaque especial no poder público e, da mesma forma, aumentando a carga tributária do país que chegou a 35% de tudo o que produzimos. Resultado: produzir no Brasil ficou caro e, desde há muito, estamos exportando empregos para países vizinhos. A desindustrialização segue forte e nossa indústria representa cada vez menos no nosso PIB.
Fico pensando: no momento em que nossos parlamentares travam uma discussão para diminuir as horas trabalhadas no país, será que têm consciência das consequências imediatas e futuras desta hipótese? Com absoluta certeza o custo de produção das empresas brasileiras ficará fora do padrão internacional. Como temos produtividade muita baixa, encargos muito fortes, impostos excessivos para sustentar uma máquina pesada e perdulária, estes custos adicionais comprometerão, ainda mais, nossa competitividade mundo afora.
Acredito, com certeza e antecipadamente, que será a pá de cal em nossa indústria nacional já combalida. No comércio, os aumentos dos custos trabalhistas forçarão as vendas para as plataformas digitais que não usam empregados e vendem e venderão mais barato. O desemprego aumentará.
Quem viver, verá!