
Em fevereiro de 2016, a Revista Planeta Água, em sua edição 141, já apontava para o crescimento vertiginoso da Tesla Motors – como era chamada à época a empresa de Elon Musk, então patrão do engenheiro eletricista anapolino Aurélio Rosa, filho de Odilon Rosa, diretor geral da publicação.

A reportagem de capa, intitulada “Os carros elétricos vão decolar”, com Elon Musk na foto, antecipava um cenário que, nove anos depois, em 2025, se materializou de forma simbólica em Anápolis com a chegada de duas Cybertrucks trazidas por Aurélio, uma para si e outra como presente à sua mãe, Lucimar Rezende.
A previsão da revista teve origem em uma experiência singular: um tour pela Europa realizado por pai e filho, Odilon e Aurélio Rosa, testando modelos da Tesla, incluindo o pioneiro Roadster. A reportagem destacava o potencial dos veículos elétricos (EVs) em um mercado global ainda dominado por combustíveis fósseis, mas que já dava sinais de transformação.

“As principais montadoras do mundo investem cada vez mais em modelos de menor consumo de combustível e impacto ambiental que, aos poucos, caem no gosto dos consumidores”, dizia o texto, reconhecendo, no entanto, que o preço ainda era um obstáculo.
A análise da Revista Planeta Água se apoiava em um estudo da Bloomberg New Energy Finance (BNEF), publicado em 25 de fevereiro de 2016, que projetava um futuro promissor para os EVs. Segundo a pesquisa, a queda nos custos das baterias – que já haviam reduzido 65% desde 2010, chegando a US$ 350 por kWh em 2015 – tornaria os elétricos mais baratos que os carros a combustão até 2025. A BNEF previa ainda que, em 2040, as vendas globais de EVs atingiriam 41 milhões de unidades, ou 35% do mercado de veículos leves, um salto impressionante em relação aos 462 mil vendidos em 2015.
Mudanças no horizonte
A reportagem de 2016 também alertava para as implicações além do setor automotivo. A ascensão dos elétricos, impulsionada pela redução dos custos das baterias de íon de lítio – projetadas para cair a menos de US$ 120 por kWh até 2030 –, poderia abalar a indústria petrolífera. Outro fator destacado era o papel dos governos: incentivos fiscais, como a isenção de 35% na tarifa de importação de elétricos no Brasil desde outubro de 2015, e políticas como as da Noruega – onde os EVs já representavam um quarto das vendas graças a benefícios como estacionamento exclusivo e acesso a corredores especiais – eram vistos como decisivos. Porém, a realidade dos incentivos fiscais – cada vez menores – é hoje totalmente diferente do que era em 2016.
Nove anos depois, o cenário previsto pela Planeta Água se confirma. A Tesla, agora simplesmente Tesla Inc., consolidou-se como líder no mercado de veículos elétricos, e a Cybertruck, revelada por Aurélio Rosa em Anápolis em 28 de março de 2025, é um símbolo dessa revolução. O engenheiro, que trabalhou diretamente com Elon Musk na época da reportagem, trouxe para sua cidade natal não apenas a tecnologia futurista da empresa, mas também um gesto de gratidão à família, presenteando sua mãe com uma das camionetes.
A visão de Odilon e Aurélio Rosa, registrada em 2016, ecoa hoje nas ruas de Anápolis, a primeira cidade da região a ver duas Cybertrucks circulando. O que começou como um teste de modelos na Europa e uma aposta jornalística na Revista Planeta Água se transformou em um marco de inovação e afeto, provando que o futuro dos “carros verdes” não apenas chegou, mas também carrega consigo histórias de raízes e conexões humanas.